Mistérios Marcorelianos 3

Neste PREÂMBULO, quero dizer que o ceticismo é uma espécie de doutrina cujo princípio é afirmar que não se pode obter nenhuma certeza a respeito da verdade. Isto implica que o cético sempre se encontra numa condição intelectual de dúvida permanente, visto que ele  admite sua incapacidade de compreensão quanto aos fenômenos metafísicos, religiosos ou até mesmo da realidade que, segundo os físicos, é bem diferente desta que imaginamos.

 

Afinal, “meus mistérios”,  insisto, não passam de um inócuo ensaio sobre assuntos ainda cobertos pelo véu da ignorância (alguns mais, outros menos) e o seu propósito é, presunçõses à parte, sucitar a curiosidade alheia para que prossiga na árdua tarefa de "fuçar o vácuo da verdade".

 

Os artigos, a seguir, refletem, portanto, o que se passa na mente de um cético moderado. Disse moderado, porque, infelizmente, ainda existe o cético radical: aquele que afirma sem ter argumento para tanto (ou talvez tem até muito argumento mas, a maioria inconsistente). Esse extremista contumaz, geralmente, é muito prolixo porque adora fazer uso excessivo das palavras justamente para dissuadir o, talvez, menos instruído interlocutor.

 

Em outras palavras, o radical adora o palavrório desenfreado somente para disfarçar a sua possível falta de conhecimento ou a fim de se defender de um contra-argumento que seja mais forte do que o seu ou que lhe desminta. O  pior é que esse tipo de cético se emudece por um bom tempo, quando não tem mais saída para derrubar o outro conceito. Saída sorrateira - e orgulhosa - para disfarçar a própria ignorância e para se fazer de vítima. É a defensiva para não reconhecer o erro. Os ateus, por exemplo, são uma forma bem conhecida de cético radical. Para mim, não passam de crentes às avessas. 

 

Finalmente, o estudioso mais sensato tem que, ceticamente, se conscientizar que a verdade absoluta é inalcançável quando se trata de assunto que a ciência tem dificuldade de demonstrar empiricamente. Porém, existem as verdades relativas que são o caminho para achar aquelas que são definitivas. Se é que chegaremos lá. 

 

Por sinal, acabo de me lembrar de uma história – absolutamente verdadeira - que ilustra bem o que estou querendo dizer.  Havia em Formiga, MG, um “doido” que ficava tateando no ar como que se quisesse pegar alguma coisa. Os curiosos chegavam perto dele e perguntavam o que ele estava querendo pegar. Ele respondia: “Estou querendo pegar gurips”. “E o que é gurips?” “Não sei, porque não peguei ainda...”

 

É assim que ajo quando estou procurando a verdade absoluta. Quem sabe, uma maneira de disfarçar ou aplacar as mentiras relativas que insistem em nos idiotizar...

 

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